Crédito: Divulgação
Quando a Pixar anunciou mais um capítulo para a sua franquia de maior sucesso, o sentimento geral do público e da crítica foi de ceticismo. Afinal, a trilogia original havia encerrado de forma magistral, e o quarto filme soou para muitos como um epílogo visualmente deslumbrante, porém desnecessário.
No entanto, Toy Story 5 chega aos cinemas provando que a franquia ainda tem muito fôlego para debates relevantes. Trazendo a discussão para um terreno assustadoramente atual, a animação se mostra corajosa e superior ao seu antecessor direto.

A grande sacada do novo roteiro é a drástica mudança da ameaça que os amados brinquedos enfrentam. Se no passado o pânico era gerado pelo descarte, por colecionadores gananciosos ou pela transição para a faculdade, agora o inimigo é silencioso e extremamente viciante.
A dinâmica apresentada em tela é de partir o coração. Vemos Woody, Buzz, Jessie e toda a turma sendo trocados não por brinquedos mais modernos, mas por um tablet que emite luzes azuis e sons repetitivos. A criança da vez não corre pelo quintal imaginando missões espaciais ou cenários no velho oeste; ela está sentada no sofá, completamente hipnotizada por jogos passivos e vídeos curtos.
O longa critica de forma brutal como a superexposição digital está roubando a imaginação. Para um brinquedo, um objeto que ganha propósito através da criatividade, um tablet gera uma verdadeira crise existencial. Como um boneco de pano pode competir com estímulos de dopamina injetados a cada três segundos?

Por Que Supera Toy Story 4?
O grande problema do capítulo anterior (Toy Story 4) foi o seu isolamento narrativo, funcionando quase como uma aventura solo de autodescoberta do Woody desconectada da premissa de que “brinquedos existem para as crianças”. Toy Story 5 corrige essa rota brilhantemente ao devolver o foco para a força do coletivo.
A nova ameaça digital afeta toda a caixa de brinquedos de forma igual, forçando a velha guarda a se unir aos novatos em planos absurdos e desesperados para roubar a atenção da criança de volta.
Se a premissa é tão forte e socialmente necessária, o que impede a obra de alcançar a perfeição dos clássicos do passado? A resposta mora na oscilação de ritmo e na resolução do roteiro de seu terceiro ato.
A crítica às telas é fantástica nos dois primeiros atos, mas no terceiro o roteiro se enrola na hora de apresentar uma solução. A mensagem vira uma espécie de “sermão”, mastigando a moral da história e subestimando um pouco a inteligência do público.
O filme sofre com a sensação inescapável de repetir batidas dramáticas. Há tentativas de forçar as mesmas lágrimas do genial final de Toy Story 3, mas sem o mesmo peso de anos de construção. A resolução do conflito tecnológico soa um tanto irreal e fácil para um problema do mundo real que é extremamente complexo e difícil para os pais lidarem hoje em dia.

Toy Story 5 é um filme que precisava ser feito. A qualidade da animação continua deslumbrante e o timing cômico segue afiadíssimo. A coragem de olhar para o iPad na mão das crianças e perguntar “o que acontece com a imaginação?” faz a ida ao cinema valer cada centavo. O longa entrega um saldo imperfeito na conclusão e levemente repetitivo, mas inegavelmente provocativo e de coração imenso. É um excelente ponto de partida para que os pais conversem com seus filhos no caminho de volta para casa, preferencialmente, com os celulares muito bem guardados no bolso.
Nota: 3/5 ⭐️
Toy Story 5 chega oficialmente aos cinemas nesta sexta-feira, 19 de junho.
