Divulgação / Sony Pictures
Adaptar uma das franquias mais icônicas dos anos 80 para as telas atuais parecia uma tarefa quase impossível, mas a nova versão de Mestres do Universo prova absolutamente o contrário. Longe de ser apenas um espetáculo de CGI vazio feito para vender brinquedos, o longa entrega uma aventura com um coração gigante, honrando a nostalgia enquanto constrói algo fresco, dinâmico e focado em diálogos reais. É, sem exageros, um dos grandes acertos da fantasia moderna, e já prepara com maestria o terreno para um universo muito maior.

Essa profundidade já fica clara antes mesmo de chegarmos ao herói musculoso, pois o roteiro acerta em cheio ao apresentar as raízes do personagem. Logo no início, somos introduzidos ao Adam aos 10 anos de idade, interpretado de forma cativante pelo jovem Artie Wilkinson-Hunt. Fica evidente desde cedo que o garoto foge completamente do estereótipo de guerreiro sanguinário esperado pelo Rei; ele é desajeitado, de coração mole e não tem vocação para a espada. É justamente essa base construída na infância que torna a transição para a fase adulta tão crível. Quando Nicholas Galitzine assume o manto de Príncipe Adam/He-Man, ele abraça essa mesma vulnerabilidade, transparecendo que o herói não foi escolhido pelo poder de Grayskull por seus músculos, mas sim por ter uma alma grandiosa.

Torna-se extremamente revigorante acompanhar um protagonista de aventura cuja maior arma é a empatia, a comunicação e a vontade incansável de resolver conflitos no diálogo antes de apelar para a violência. Essa desconstrução do antigo estereótipo do “macho alfa” intocável é o que faz o público se conectar de verdade com a jornada. E grande parte dessa imersão funciona porque o elenco comprou a ideia, entregando uma química super natural e bem distante daquelas atuações engessadas típicas dos blockbusters de ação.

Falando em atuações cheias de vida, é impossível não exaltar o frescor que os vilões trazem para a tela antes mesmo de focarmos no núcleo heroico. A energia deliciosamente espalhafatosa de Jared Leto como Esqueleto e Alison Brie como Maligna abraça a “cafonice” charmosa dos anos 80 sem o menor medo de ser feliz. É exatamente por esse núcleo de apoio se divertir tanto em tela, sem amarras, que o contraste com o nosso trio de heróis funciona de forma tão orgânica. A loucura colorida ao redor é o que permite que a relação de afeto, respeito e parceria entre Nicholas Galitzine, Idris Elba e Camila Mendes flua de um jeito tão genuíno, transformando o que poderia ser só mais um grupo genérico de ação em uma verdadeira família disfuncional pela qual a gente torce apaixonadamente.

E um aviso muito importante (ALERTA DE SPOILER): se você for ao cinema, pelo amor de Deus, não levante da cadeira antes da hora! O filme entrega não apenas uma, mas três cenas pós-crédito que são fundamentais para o futuro da história.
Veredito
No fim das contas, Mestres do Universo é uma surpresa e tanto porque consegue entregar o espetáculo visual que a gente espera, mas ganha o jogo de verdade pela sensibilidade de tratar o seu herói de forma mais real e próxima de nós.
Nota: 5/5
Mestres do Universo chega 4 de Junho nos cinemas.
