Divulgação/Disney
A onda de adaptações em live-action da Disney parece longe de arrebentar e, desta vez, o estúdio decidiu navegar pelas águas de Moana, entregando um espetáculo que é um verdadeiro mar de altos e baixos. Visualmente, a produção é um deslumbre absoluto e justifica o ingresso na tela grande.

O oceano, que sempre foi um personagem central, ganha uma textura e um realismo impressionantes, transformando as cenas de navegação em belíssimas pinturas em movimento, enquanto a direção de arte capricha nos detalhes dos figurinos e na preservação da essência cultural polinésia. No centro de todo esse apuro estético, a atriz principal, Catherine Laga’aia, encanta profundamente. Ela segura a emoção e o peso da protagonista com muita naturalidade e frescor, garantindo que o coração da história continue batendo de forma autêntica mesmo quando o filme oscila.

No entanto, se o visual é um verdadeiro colírio, a narrativa exige muita paciência. O grande pecado desta adaptação é a sensação constante de que o filme enrolou demais para chegar a lugar algum. Fica bastante evidente que, na tentativa de expandir a franquia de forma prematura, o estúdio tomou a questionável decisão de espremer tramas e elementos narrativos que pertencem ao segundo filme animado diretamente na fundação deste primeiro longa. O resultado dessa mistura é uma salada de arcos que infla a duração desnecessariamente e quebra o ritmo ágil que a aventura original pedia.
O mar, que deveria representar urgência e descoberta, acaba servindo de pano de fundo para cenas arrastadas que não empurram a jornada principal para a frente.

Esse descompasso afeta diretamente a dinâmica dos personagens, e quem mais sofre no início é Dwayne “The Rock” Johnson reprisando o papel de Maui. Para ser bem direta: logo de cara, a atuação dele simplesmente não pega. O que na animação soava como um egocentrismo charmoso, no live-action acaba parecendo forçado e um tanto caricato, gerando um distanciamento inicial.
Felizmente, para o final da projeção, as coisas se alinham. O carisma inegável do astro finalmente consegue brilhar, e a conexão de amizade construída com a protagonista engrena de verdade, rendendo interações genuínas que acabam salvando o terceiro ato.
No fim das contas, a nova versão de Moana é uma viagem muito bonita de se olhar, mas que perdeu um tempo precioso navegando em círculos em vez de seguir com firmeza direto para a linha do horizonte.
Nota: 2,5/5 ⭐⭐
