Assistir a “Devoradores de Estrelas” é um exercício de paciência que testa os limites do espectador. O filme, que prometia ser uma ficção científica de peso, acaba se tornando um “looping” técnico cansativo sob a direção de Phil Lord e Christopher Miller. Fica o aviso: a dupla, mestre nas animações com Aranhaverso, parece não ter acertado o tom no live-action. A narrativa gira em círculos, focada em problemas técnicos que não levam a lugar nenhum, dando a nítida impressão de que os diretores esqueceram de construir um clímax real, lembrando que o filme precisava terminar apenas nos minutos finais.

Essa falta de rumo da direção reflete diretamente na performance desastrosa de Ryan Gosling. O que deveria ser um herói relutante começa como um puro “pastelão”, uma atuação boba, cheia de trejeitos deslocados que tiram qualquer seriedade da trama. Quando o filme tenta subir o tom emocional, o desastre muda de forma: Gosling transita para um drama carregado e sem nuances, atingindo um nível de exagero digno das piores novelas da Record. É aquele choro forçado e uma “superação” teatral que soa artificial, longe da sutileza que o cinema exige.
O filme só não é um naufrágio completo porque, no meio desse vazio narrativo, surge o encontro entre Grace e Rocky, o alienígena eridiano. É apenas nessa dinâmica que a obra finalmente encontra algum propósito e alma. A construção da amizade entre os dois é fascinante, especialmente pela forma como desenvolvem uma comunicação baseada em notas musicais e lógica. Rocky, com seu carisma visual e seu bordão “Amaze!”, acaba sendo o verdadeiro protagonista moral da história, entregando a humanidade que falta ao elenco humano.

A química entre o humano e a “aranha de pedra”, culminando no icônico fist bump (soquinho), é o único ponto que realmente sustenta o interesse até o fim. É uma pena que uma relação tão genuína e emocionante de sacrifício mútuo esteja presa em um roteiro que parece nunca chegar a lugar nenhum. Se você quiser tirar suas próprias conclusões, “Devoradores de Estrelas” chega oficialmente aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 19 de março, com algumas sessões antecipadas já acontecendo em salas IMAX pelo país. Vale pelo Rocky, mas prepare-se para navegar por um mar de tédio até chegar lá.
Nota: 5/10 (Mediano)
